quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Dez princípios sobre a compreensão da estratégia como uma revolução

Segundo Gary Hamel, um dos principais pensadores Zcontemporâneos sobre o estudo da estratégia organizacional, estratégia é revolução, o resto não passa de táticas. O que realmente importa, de acordo com ele, é ser único e diferente; tudo mais é decorrência. Em artigo para a Harvard Business Review, Hamel elenca os dez princípios dessa visão “revolucionária” da estratégia. Faço um breve comentário após cada um dos princípios.

O pensamento estratégico até pode ser planejamento, mas nem por isso será estratégico. Nem todo planejamento tem caráter estratégico, ou seja, algo que aponte para o foco de atuação e a singularidade da instituição em um determinado período de tempo. Pode-se planejar para ações operacionais (o que é absolutamente relevante!), sem que isso altere a posição estratégica.
A elaboração da estratégia precisa ser uma subversão. Subversão aqui tem a ver com o questionamento do status quo da estratégia. Considerando que o futuro é imprevisível, subverter a estratégia pode significar a diferença entre sobreviver e sucumbir a eventos futuros. Subversão significa pensar diferente, pensar o novo.
O gargalo fica no alto da garrafa. A estratégia é definida pela cúpula da instituição, em geral pelos proprietários do capital (Conselho de Administração, Presidência etc.). Porém, a dinâmica do ambiente é percebida muitas vezes por instâncias operacionais, que podem antecipar alterações importantes no ambiente. É necessário canal aberto com esses segmentos para se ter flexibilidade e rápida capacidade de adaptação a novos cenários.
Todas as companhias têm revolucionários. Grandes ideias e insights inovadores podem advir de qualquer ponto da instituição.
O problema não é a mudança, mas o comprometimento. Propor mudanças não é o mesmo que acreditar na validade da mudança. Comprometer é decisão de foro íntimo e pessoal, porém fundamental para perseguição dos objetivos pretendidos. Duas condições são básicas para existência de comprometimento disseminado entre os empregados: informação suficiente e canal de diálogo.
A elaboração da estratégia deve ser um processo democrático. Se a elaboração da estratégia restringir-se ao grupo executivo, é muito baixa a possibilidade de comprometimento e assim de concretização das mudanças imaginadas de forma sustentável. O modelo, a forma e o processo de inclusão das pessoas dependem de cada organização. As alternativas são diversas.
Qualquer um pode ser um estrategista militante. Os revolucionários, aqueles portadores de insights e novas perspectivas, em geral, não se encontram no topo da pirâmide. Abrir canais de manifestação para discussão dos resultados estratégicos (vide Estratégia Premium de Kaplan e Norton) contribuiu com a oxigenação dos rumos.
Uma perspectiva vale mais que 50 pontos no QI. Numa perspectiva da organização orientada para a aprendizagem, Hamel afirma que as instituições podem favorecer reflexões de seus empregados voltadas para enxergar o mundo de forma diferente. Mudança de perspectiva conduz à possibilidade de novas oportunidades existentes no ambiente se tornarem visíveis.
De cima para baixo ou de baixo para cima não são as alternativas. Uma ou outra é problema. Uma e outra é a solução.
Não se vê o fim desde o começo. Propostas pré-concebidas no início do processo podem ser completamente reformuladas ao longo da elaboração da estratégia; o que é bastante rico, pois demonstra densidade de participação e discussão. Além disso, a estratégia é ferramenta gerencial para organizar a ação e equalizar conhecimentos sobre os resultados pretendidos pela instituição. Acreditar que o futuro ocorrerá na forma como imaginado na formulação da estratégia é uma das posições mais ingênuas e perigosas, pois ambas podem levar à arrogância, soberba e autismo, aspectos fatais para sucesso de qualquer proposta.


Postado por: Jose Gaspar Nayme Novelli

Fonte: http://www.estrategiaemfoco.com.br/2011/01/17/dez-principios-sobre-a-compreensao-da-estrategia-como-uma-revolucao/

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